segunda-feira, 23 de julho de 2018

Uma crise nas Docas


O lacaio entrou de ombros caídos e com medo na sala. O mestre fumava um charuto e observava o porto lá em baixo. Tudo naquela cobertura lembrava ouro ou prata. A imensa parede de vidro para a qual o Giovanni estava voltado mostrava grande parte do norte da cidade e a totalidade dos portos.
- Sr. Abreu?
O Giovanni baforou mais uma vez seu charuto e o apagou contra a parede de vidro, antes de responder:
- Descobriu o que aconteceu? O contador descobriu onde errou?
O homem encarou os próprios pés:
- Na verdade não há erros, senhor. Os números estão certos. Houve uma queda de 43% na nossa venda de frete para os portos do Brasil.
Ele cruzou os braços atrás do corpo e encarou o lacaio:
- E por qual razão? Posso saber?
O lacaio engoliu seco:
- Há uma nova empresa, ela jogou os preços dos fretes muito, muito abaixo do mercado.
- E esta empresa pertenceria a um vampiro, suponho. Quem?
- Exato senhor. Ainda não tenho notícias a respeito, ele trabalha sob muitos nomes, mas ao que parece é um homem muito rico. Ele também comprou a antiga casa de Mercedez.
- Mas aquela casa estava à venda?
- Não senhor, mas dizem que ele pagou 50 milhões e os moradores atuais aceitaram.
- Mas 50 milhões de pesos é muito abaixo do que aquele imóvel vale!
- Não senhor... dizem que foi 50 milhões... de dólares...
O silêncio reinou durante alguns segundos. O vampiro pensava, o lacaio tinhamedo de ser arremessado prédio abaixo. Não seria o primeiro.
- Chame o Rei Rato! - Disse por fim o Giovanni - Precisamos saber quem é nosso novo conterrâneo antes dele falir a cidade inteira! Isso me soa como a Camarilla!

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