segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Um funeral silencioso

- Papa, não é necessário que o senhor veja!
Ele apenas continuou andando em silêncio, ignorando os avisos e súplicas das duas crias que conseguiram chegar ao local antes dele. Sua cabeça estava baixa, mas o ódio e a dor cercavam até mesmo sua sombra.
As duas temiam sua reação embora ele não fosse uma pessoa explosiva, mas diante de morte tão repentina, cruel e com ares de tortura, com certeza ele não ficaria calado
O que restara do corpo pendia sobre a cruz  caída. Ainda era possível ver a enorme estaca em seu coração e o restos de um rosário derretido sobre seu peito.
Ele esticou as mãos ossudas e agarrou o rosário, puxando-o para si. O barulho de rachaduras pareceu ser ouvido há quilômetros de distância... a cabeça do que um dia fora Buck se desprendeu do corpo e rolou para o chão.
Um guincho de voz saiu da boca das duas. Ele continuou sem soltar uma única palavra até que por fim ordenou.
- Não quero nenhuma palavra sobre isso nos jornais. Recolham o corpo e levem para minha tumba: precisamos iniciar os atos fúnebres.
Enfiou o rosário no bolso, enquanto tentava manter a besta furiosa dentro si em silêncio.
Andou até as crias, abraçou-as e afagou suas cabeças:
- Nada temam, minhas crianças. Acharemos os responsáveis por isso e os executaremos em praça pública!


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